Cara ou coroa? A música em “Onde os fracos não tem vez”.

A música feita para teatro, cinema ou qualquer outro meio tem funções expressivas muito específicas. O compositor aprende a utilizar as infinitas combinações musicais disponíveis de maneira a transformar em sons os desejos do diretor. É muito mais importante que a música seja bem sucedida neste aspecto do que particularmente bela ou marcante. De fato, a música em alguns trechos do filme pode ser banal e no entanto ser mais efetiva do que uma maravilhosa orquestração com milhões de sutilezas harmônicas e melódicas. Além disso, a música adequada para determinado momento pode ser uma composição já existente, como vemos em filmes como Ilha do Medo, Kill Bill e muitos outros. O que está em jogo não é o gosto pessoal do compositor e sim a função que a música desempenha no filme. É famosa a história de que Stanley Kubrick dispensou o score original criado por Alex North para 2001 em favor de uma seleção de composições, incluindo Assim Falou Zaratustra de Richard Strauss e a valsa Danúbio Azul de Johann Strauss.

Há músicas que são tão delicadas, ou são colocadas na mixagem com volume tão pequeno que só se percebem ao assistir o filme uma segunda ou terceira vez. É o caso de Onde os fracos não tem vez, a respeito do qual já ouvi jurarem que é um filme sem música.  A escolha dos diretores foi tratar a música como um dado muito sutil do filme. Há uma cena que acabou ficando famosa, em que o assassino interpretado por Javier Barden decide a sorte do proprietário de um posto de gasolina usando uma moeda. A cena está disponível no Youtube (procure por coin toss scene) e ali se pode comprovar a utilização muito econômica da música (que entra momentos antes da moeda ser lançada e termina apenas alguns instantes depois).

Essa maneira de utilizar a música certamente é pouco usual em um thriller como este, mas o fato é que essa música pequena, limitada, de certa maneira combina com o visual árido, os diálogos secos e a própria frieza do assassino Anton Chiguhr. Uma escolha ousada, mas certamente justificada pelo clima do filme.

 

2 Responses to Cara ou coroa? A música em “Onde os fracos não tem vez”.

  1. Fabio Alexandre disse:

    gostei da parte do texto onde você comenta que já ouve pessoas que juraram
    que onde os fracos não tem vez não tem trilha, esse foi o principal motivo pra nós do grupo escolher esse filma para fazer o nosso tcc.. mas logo depois de assistir pela segunda vez .. percebemos que essa idéia caiu por terra .. obrigado por tudo nas aula na orientação do tcc e pelas dicas

  2. carol disse:

    Parabens Pelo seu Artigo muito bom Gostei

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